p

11/11/05 22:44

Novos links e até logo

Tem links novos na coluna ao lado. Alguns deles você já conhece do post abaixo, como os blogs do Aluízio Amorim, Orlando Tambosi e João Debiasi. Mas tem um novo, que é o da Aline Cabral. Tudo coisa boa.

O até logo é por conta de uma viagem, meio a passeio, meio a trabalho. Saio amanhã, 12, do Brasil e só retorno dia 4 de dezembro. Até lá, isso vai ficar às moscas. Explico: este blog é feito direto em HTML, o que me impede de postar de qualquer computador, como é possível com a maioria dos blogs. Auf Wiedersehen.

[Ouvindo: Giuseppe Verdi - Di Provenza Il Mar - La Traviata]

6/11/05 23:14

A contribuição do governo Lula

Não, não se trata da suposta contribuição de Havana ao PT, mas de uma efetiva contribuição do governo de Luíz Inácio da Silva para o Brasil. Desde que o governo petista perdeu sua aura de guardião das esperanças nacionais, desde que a esquerda se desiludiu com os ocupantes do Planalto e da Esplanada, o número de blogs criticando o governo cresceu significativamente. Não tenho números, mas links, como os blogs do Tambosi, do Aluízio Amorim, do Debiasi, do Dellandréa. A impressão é que as pessoas estavam esperando o momento em que falar mal das esquerdas em voz alta se tornasse"cool". Como o governo é supostamente - e põe supostamente nisso - de esquerda e falar mal do governo sempre foi "cool", chegou a hora.

Aqui, vocês dificilmente lerão críticas ao governo. A governos, em geral. Me parece pouco justo descer o pau no governo Lula tendo ficado quieto durante o reinado de oito ano de FHC. Os erros de um e de outro são tão similares. Pior ainda, faço uma penitência pública por não ter movido uma palha para apear Collor e seu ridículo ministério. Nada disse, nada fiz. Fui apático, dirão uns. Corroborei com a corrupção, gritarão outros. Por fim, me dirão: alienado. Não me importo.

Não falar sobre isso aqui é opção minha por uma razão simples: não gosto que me digam o que pensar. Abomino a idéia de influenciar alguém numa questão que não seja estritamente técnica. Reciclo meu lixo, respeito as leis de trânsito, não furo filas. Aí está minha contribuição para melhorar o mundo. Não é votando no PT, PSOL, PFL, PSDB, PMR que darei uma efetiva contribuição para o futuro dos netos que não terei. Tampouco atacando um ou outro.

Acho até um desserviço. Porque, inevitavelmente, a ideologia das pessoas fica clara em seus posts. Há quem diga no blog, por exemplo, que com o tempo deixou de lado as ideologias. Aí acende minha luzinha amarela: ele trocou de ideologia (o que sempre é salutar) e acha que está livre dessa praga. Eu, que sou tachado de direitão pelos meus amigos de esquerda e de esquerdinha pelos de direita, assumo que tenho ideologia. Pode não ser de direita nem de ser esquerda, posso ser um liberal anti-conservadorismo, posso ser um anarquista libertário, mas, mais importante, posso ser o que quiser e não preciso incomodar ninguém com isso.

É uma pena que muitos blogs criticando o governo federal acabem se tornando monocórdicos. Esses que citei acima não são o caso. Ou, pelo menos, três deles não são. Falam só a mesma coisa. Uma pena, porque há tanto que uma pessoa pode contribuir, desde que não se torne refém de um pensamento único, qualquer que ele seja. Mas há uma incrível necessidade de as pessoas colocarem sua opiniões pra tomar sol. Mais ou menos como eu acabei de fazer.

[Ouvindo: Dire Straits - Down To The Waterline - Dire Straits]

27/10/05 0:21

Crônica da solidão

Ela bateu a porta com força, brava, blam! Só ficou, no apartamento vazio, o ruído da chave dele balançando na fechadura. E as histórias. Milhares de histórias, de gargalhadas, de gozadas, de lambidas e tapas. Litros de lágrimas e suor.

Principalmente dele. Como suava, o coitado. Vivia de um lado para o outro, meio atarantado, fazia isso, aquilo, trabalhava, cuidava da casa, fazia as vontades dela. Louco de amor, de paixão. Morto de medo de perdê-la, da solidão.

Ela não o tratava mal, mas fazia do pobre coitado um prisioneiro do amor. Se fosse uma vontade dela, era ordem para ele. Até que o sexo foi rareando, as saídas à noite, a diversão. Ela foi ficando distante, longe, linha plana, tela sem cor alguma.

O interesse era passado. Mas ele não arrefecera um momento sequer. Era só dela na cama, era só dela de coração. De um dia pro outro notou que não estava mais sozinho naquele corpo que julgava só seu.

Não foi preciso mais que uma marca no pescoço, um pequeno hematoma ao chegar em casa, no fim de tarde. Ele, que nunca disparara o velho revólver enferrujado que herdara do pai, carregou a arma e meteu uma única bala na têmpora direita.

Ela nunca conseguiu explicar que o hematoma era da prancha de alisamento do cabelo, uma queimadura que matou o homem que amava. Amava, sim. Não havia mais ninguém em sua vida. E agora não havia mais nem vida pra ela naquele apartamento. Só uma chave balançando na fechadura e um monte de histórias, lágrimas e suor.

[Ouvindo: Miles Davis - Flamenco Sketches - Kind of Blue]

9/10/05 23:38

Felicidade barata

Embora o título tenha conotação negativa, não é disso que se trata esse post. Acabei de comentar com uma prima minha, via MSN, como momentos felizes podem nos custar muito pouco. Agora, por exemplo, estou quase terminando um trabalho, ouvindo um sonzinho noturno, tranqüilo e tomando uma taça de um vinho Douro.

O melhor é que é o fecho de um final de semana calmo, sem sobressaltos não contornáveis, sem traumas e infelicidades extremas. Coroado - e isso ajuda muito no meu humor - por um domingo de sol que permitiu um belo almoço no Ribeirão da Ilha. Tudo muito simples, barato, e ainda assim completo. Taí: é como me sinto agora. Completo.

[Ouvindo: Coldplay - Low - X&Y]

29/9/05 14:02

Ela sorriu para mim

A impressão foi de que ela sorriu para mim. Teria que ser para mim. Ninguém mais estava vendo. Ela, ali, meio que sentada, imóvel e sorrindo. Acho que sorria. Não acho. Tenho certeza.

Eu, bobo, sorria de volta, pensando no que poderia estar passando por sua cabeça. Se é que pensava em algo. Ou se apenas sorria. E o seu sorriso foi se tornando cada vez mais meu sorriso, contagiando os colegas do escritório, fazendo-os sorrir também.

Logo todos sorriam e ela já não era mais necessária ali, naquele parapeito de janela, resistindo ao vento. Bateu suas asas frágeis de borboleta e foi embora para que eu nunca mais a visse. Mas o sorriso ficou. Um lepidóptero sorriso.

[Ouvindo: Foo Fighters - Ain't it the Life - There Is Nothing Left To Lose]

28/9/05 13:43

Ausência

Como me desculpar? Nem vou tentar. Passemos, então, a outros assuntos. Neste mês de outubro, vou, pela primeira vez depois de muito tempo, assistir um show internacional. Ingressos e passagens estão compradas para ir a São Paulo curtir o Tim Festival no dia 23. Lu e eu veremos, em ordem de importância, Strokes, Kings of Leon, Arcade Fire, M.I.A. e Mundo Livre S/A.

Os dois últimos eu não faço muita questão de ver, mas os outros três são bandas que gosto pra valer. Principalmente Kings of Leon e Strokes. Quem não conhece e aprecia um rockzinho descompromissado, deve ouvir. Especialmente "Is this it", o álbum de estréia dos Strokes, e "Youth and young manhood", o primeiro do Kings of Leon. São bandas novas, ambas americanas, e que dão um refresco para o combalido rock 'n roll.

[Ouvindo: Gorillaz - Clint Eastwood - Clean]

pp p

Clique para voltar à home

O esquema é: textos em branco são ficção, em preto, opinião, e em cinza, tudo o que não for nem um nem outro.

Blogs recomendados:

Arquivos:

p