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27/1/05 1:30

Dois avisos

Coisa rápida mesmo, que eu tenho que dormir. O primeiro é que incluí o blog da Georgia Borin, Gebom, na lista dos recomendados. Saudades dessa garota que foi colega nos tempos de TV Barriga Verde e que se tornou excelente cronista/contista. O outro aviso é que os arquivos da Casa Proença em 2005 serão por mês. Assim, me poupa o trabalho de ficar juntando as semanas, criando arquivos e coisa e tal. Fica todo o mês numa tripa só. Quem não tem internet de banda larga, me desculpe.

[Ouvindo: The Soggy Bottom Boys - In The Jailhouse Now - O Brother, Where Art Thou?]

27/1/05 1:10

Um pouco sobre tevê

Um aparelhinho, além do computador, é determinante na minha vida: a tevê. Estando em casa, mesmo que trabalhando e ouvindo música, estou com a telinha ligada - tudo ao mesmo tempo. Talvez porque tenha passado muito da minha vida adulta trabalhando sozinho em frente ao computador. A tevê me faz companhia. Mas, quem acha que estou ficando filosófico, se prepare. Vem muito mais por aí. Afinal, o post é em preto e opiniões eu tenho de monte. Às vezes é bom levá-las para tomar sol.

Quando era estudante de Jornalismo, não raro discutíamos o valor de um livro ou de um filme. Mas um programa de tevê, salvo os jornalísticos, dificilmente vira assunto. A não ser que seja para criticar, ao estilo escola de Frankfurt, a má influência da mídia ou os baixos padrões estéticos. Livros e filmes se tornam clássicos. Na tevê, nada é clássico e tudo é efêmero. Mas, mais do que o tempo, o que interessa, o que torna uma obra clássica, é o conteúdo.

Hamlet, por exemplo, que discute nossa própria noção de humanidade, de certo, de errado e, principalmente, de tomar o caminho discutível para fazer o que supostamente é correto. Ou Dom Quixote, que trata da ilusão e de como o mundo é aquilo que nós acreditamos que é. Os temas ffilosóficos ficam ainda mais claros em Cândido, de Voltaire, e Assim Falou Zaratustra, de Nietzsche (embora muitos não considerem essa uma obra de ficção).

No cinema, Je Vous Salue Marie, ou Acossado, de Godard; Cidadão Kane, de Welles; ou Ran, de Kurosawa, também discutem temas de grande profundidade. Ainda quando era estudante, um professor de crítica e estética me falou que o que caracterizava uma grande obra era o fato de tocar nos pontos que sempre intrigaram a humanidade. Se falasse sobre ética, política, impermanência, vida e morte, sobre os grandes enigmas investigados pelos filósofos, valeria a pena ser criticada.

Pois há muito na tevê que merece crítica. E não me refiro aos top ten da inteligência na tevê - documentários, programas de jornalismo e entrevista, séries da Discovery, History Channel ou National Geographic. Me refiro às séries, novelas, mini-séries e desenhos. É covardia citar Os Simpsons ou South Park, porque sobre esses não há nem discussão a respeito do valor e das múltiplas camadas de compreensão em cada episódio. (Recomendo Os Simpsons e a Filosofia, da editora Madras.)

Mas que tipo de discussão de profundo valor humanitário pode haver em CSI, uma série policial da Sony? O personagem de Gil Grissom, vivido por William Petersen, encampa uma das mais amplas discussões da filosofia, especialmente depois do advento do pensamento dito pós-moderno: a do valor da ciência. Grissom é o tipo de cara regido pela ciência. Mais do isso, em função da empatia do público com o personagem, a série passa esse valor, o que não é nada desprezível num mundo regido por duendes e por gente que acha que o pouso na Lua foi uma armação norte-americana.

Will & Grace, outro seriadinho despretensioso da Sony, trata, com comédia - onde leva a vantagem de poder abordar assuntos espinhosos sem chocar - de questões como preconceito e tolerância. According to Jim, outra série da Sony, lida com ética, o tempo todo. O personagem de James Belushi é o que Aristóteles classifica de incontinente em Ética a Nicômano. Eventualmente faz o que é certo, mas tem uma grande tendência a deixar as virtudes de lado em nome do hedonismo.

Claro que isso não está lá, nas legendas, mas está no texto. Alguém pode dizer que eu estou exagerando, que essa não foi a intenção do autor ou autores ao escrever o episódio. Que o que eles queriam era fazer rir retratando situações facilmente assimiláveis pelo seu público. Tudo bem, mas eu também posso dizer que o que Shakespeare queria era faturar um troco com suas peças e apenas encená-las para o rei. O ponto é que Roland Barthes pode ter acertado (nem todo mundo está errado o tempo todo, afinal) ao dizer que o texto tem muitos significados e que eles dependem muito do leitor-ouvinte-espectador.

Quem não está nem um pouco interessado em filosofia ou em ética, política, tolerância, não enxergará nada mais do que uma sitcom sobre homossexuais em Will & Grace ou um desenho sobre uma família amarela em Os Simpsons. Eu prefiro olhar além. Mas também pode ser apenas uma racionalização, uma desculpa para o tempão que passo em frente à tevê.

[Ouvindo: Chris Thomas - Hard Time Killing Floor Blues - O Brother, Where Art Thou?]

18/1/05 21:07

Mão-de-obra

Quem já fez algum tipo de reforma, sabe do que falo: mão-de-obra é a maior mão-de-obra. Os amigos que lêem essas bobagens que escrevo há mais de seis meses sabem do Gostosa, o meu veleirinho. Sabem também que o bicho está, desde dezembro, em reforma num estaleiro em Garopaba. Era para estar pronto por esses dias, mas o cara mal mexeu no casco e nem tocou no convés. Nesse momento, contenho meus ímpetos de estrangular o indivíduo.

Não tinha mais me incomodado com isso desde a reforma do meu apartamento. Tinha esquecido como é ruim. Esse tipo de mau profissional promete o serviço para uma data, não cumpre, inventa desculpas, faz de conta que não é com ele. Só tem um jeito para tratar: cortar os pagamentos. No caso do meu apartamento, fiz isso uma vez, com um eletricista. Resultado: o cara abandonou até ferramentas na reforma. Nunca mais vi a telha do sujeito e acabei terminando eu mesmo a instalação elétrica.

Agora, me incomodo com um tal de Luiz Dutra. Como referências do cara, apenas seus trabalhos. Olhei alguns barcos que ele reformou e gostei. Bem-feitos, caprichados, coisa profissional. Mas olhei apenas os barcos, não falei com os donos. Se tivesse, eles diriam que Luiz não cumpre prazos, que larga o trabalho pela metade, que mente como criança pequena e que causa uma série de transtornos. Se eu soubesse disso talvez tivesse confiado a reforma do Gostosa a outro profissional. Se bem que Florianópolis tem meia dúzia de profissionais que trabalham com fibra em veleiros.

Agora, Luiz está com meu barco em Garopaba. Aliás, meu barco está sozinho em Garopaba. Luiz está em Florianópolis "laminando um barco", "descansando por ordens médicas", "mudando a oficina para Biguaçu". Escolha uma das desculpas, eu já ouvi as três. Resultado: comprei material, paguei um quarto do preço acertado pelo serviço e nada de barco pronto. Estou perdendo um verão excelente para velejar. Por culpa da falta de profissionalismo de um sem-vergonha.

Ontem, gritando com ele ao telefone, consegui uma promessa de que no início de fevereiro ele estará com a oficina em Biguaçu, que trará meu barco para cá e em uma semana me entregará o Gostosa, novo em folha. Se é pra valer? Confesso que não sei. Sei que, enquanto isso, estou providenciando uma carreta para o veleiro. Quando ela ficar pronta, vou até Garopaba, busco o barco e todos os materiais que deixei por lá e procuro um outro cara para fazer o serviço. Só não fiz isso ainda por falta de mobilidade. Até lá, sou refém de Luiz. Eu e o Gostosa.

[Ouvindo: Ludwig van Beethoven - Simphony nº 3, III - Scherzo, Alegro Vivace - Álbum: 9 Symphonien]

17/1/05 22:23

Os The Ruins Brothers Revival

Os amigos Carlito e Jefe me avisam: Os The Ruins Brothers vão tocar novamente. O último show "oficial" foi no meu casamento, em setembro de 2003. Faz tempo. No próximo, a proposta é tocar sem qualquer ensaio. Imaginem só!? Será na casa de praia de Carlito e Cléia, que querem se vingar de uns vizinhos barulhentos. Será um tiro de canhão em represália a uma bombinha.

[Ouvindo: The Cure - The Same Deep Water As You - Álbum: Disintegration]

12/1/05 11:50

Layout

Sugestão do Carlito plenamente referendada por outros: os links passam a ser em amarelo, em vez de verde. Dependendo da calibragem de cor do monitor, ficava muito difícil de ler o verde sobre fundo preto. Prossigam com as sugestões, por favor.

[Ouvindo: Radiohead - I Can't - Álbum: Pablo Honey]

12/1/05 1:21

Colocando as coisas em dia

Nesse tempo em que estive longe do blog, aproveitei a vida. É uma coisa boa. Sugiro que os viciados em computador façam isso de vez em quando. Viajei para passar o Natal com a família, em Balneário Gaivota, e no reveillon curti a praia dos Ingleses, na casa da família da Lu.

As fotos disso estão nos dois álbuns abaixo. No álbum de reveillon há também os cliques de um passeio que fizemos até São Francisco do Sul. Ah, uma dica: as fotos estão na resolução em que as bati, portanto ficam grandes para exibição na tela do computador. Para que o navegador possa dimensionar automaticamente as imagens, basta acessar as opções de internet, no menu ferramentas do Internet Explorer. Lá, marque a caixa "Ativar redimensionamento automático de imagem". A foto encherá a tela, sem precisar rolar a página horizontalmente.

Álbum do Natal
Álbum do reveillon e passeio a São Chico

[Ouvindo: Kings Of Leon - Trani - Álbum: Youth & Young Manhood]

11/1/05 20:30

Agora com vitamina D e flavonóides aromatizados

A Casa Proença está entrando em nova fase. Nada de muito diferente em termos de conteúdo, mas a cara é completamente nova. Uma mudança que lembra um pouco a política nacional, não acham?

Criei vergonha na cara: fiz um logo um pouco mais caprichado e pensei num desenho um pouco mais original, sem copiar a template do antigo Odysseus, que originalmente era publicado no The Blog.

Estou encerrando a parte de downloads do blog, que só comia largura de banda. Na medida em que for pintando coisa interessante que mereça ser colocada a disposição dos leitores, eu posto aqui mesmo. Sem intermediários.

Os arquivos da fase antiga da Casa Proença estão disponíveis e assim ficarão por um bom tempo. Afinal, eu preciso ocupar o gigabyte que a Matrix vende junto com o pacote de acesso.

[Ouvindo: The Beatles - I Am The Walrus - Álbum: Magical Mystery Tour]

 

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A mesma casa, o mesmo morador. Só a pintura e algumas paredes são novas.

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