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26/6/05 20:16

Estética vaginal

Aos mais sensíveis e pudicos, um aviso: pulem pro próximo post. Agora, com a atenção do leitor garantida, teço meu comentário sobre algo que li no Uol. A nova moda no ramo da operação plástica é a cirurgia estética vaginal. É bem o que você está pensando. Senhoras descontentes com essa parte tão essencial da anatomia vão ao médico, revista Sexy na mão, dizendo: "Quero que fique assim, que nem a da Viviane Araújo".

Como diz um bom amigo meu, vejo tudo e não morro. Pois, além da estética, as mulheres vão atrás do estreitamento da vagina, para aumentar o prazer (tanto dela quanto do parceiro, suponho), e da reconstituição do hímen. Ou seja, é possível ser virgem de novo, mesmo depois de já ter encarado mais horas de cama que urubu de vôo.

Mas o que me preocupa é a padronização. Os seios das mulheres em Los Angeles já seguem uma estética própria, tipo marquise para evitar chuva na barriga. Aí, qual será a graça? Toda a beleza da mulher está na sua singularidade. Imagine só se todas resolvem virar o meu tipo: seios pequenos, para caber na mão, bunda arrebitada e farta, falsa magra e de pernas longas? Se até entre as pernas elas forem iguais, sobrará apenas o papo para diferenciar uma da outra. O que não é de todo ruim, afinal é nesse quesito que as mulheres se separam entre bobinhas e interessantes.

[Ouvindo: Supertramp - Gone Hollywood - Breakfast in America]

24/6/05 22:49

19 dias

Que coisa feia! Dezenove dias sem postar nada. Merecido o discreto xingão do Ilton Dellandréa, bem como as puxadas de orelha da Alice e da Giorgia pelo MSN. Tenho minhas justificativas para tal desleixo, mas não vêm ao caso. Muito mais grave é o fato de a coluna ao lado, até a data de hoje, não ter o link para o blog do amigo Rodrigo Lóssio. Agora rebatizado de Impressão Digital, vale a visita. Sempre valeu. Eu é que fui relapso e nunca inseri o link.

Mais uma adição à coluna da direita: Subhaashita, o blog de meu irmão Giuliano. Esse é novo em folha e certamente despertará interesse dos eventuais leitores budistas (atenção Giorgia e Nando!). É que Giuliano, além de bacharel em música e em pedagogia musical do piano, é também estudante de tibetologia na Universidade de Viena. O blog tem textos traduzidos por ele direto do sânscrito ou do tibetano. Como ele faz pra colocar aqueles acentos malucos eu não tenho a menor idéia.

Ah, sim: o post abaixo é resultado da melancolia despertada por um filme excepcional como há muito tempo eu não via. O nome é Em Busca da Terra do Nunca (Finding Neverland), do diretor Marc Forster.

[Ouvindo: Arthur Rubinstein - Nocturne Opus 27, Nº 2, in D-flat - Chopin: 19 Nocturnes]

24/6/05 22:30

Lamento

Como você descobre que secou por dentro? Quando se foi a última lágrima? Ela dá um aviso, sai vermelha como o final de uma bobina de papel? Ou simplesmente não se chora mais e pronto. Nem que veja o futuro indo embora por pura acomodação. A vida que sempre quis, se desfazendo por covardia, por medo e por insegurança. E nada molha o rosto.

Nem quando a mulher que viveu ao lado se foi sem morrer. Se desfez ao badalar dos sinos nas catedrais de cidades que nunca conheceram juntos, sob o olhar impiedoso dos milhões de relógios do mundo. Nem assim a visão turvou e a voz embargou. Nem assim.

Nem quando a nova paixão, o futuro que se abria, disse um discreto não, coroou tudo com um sorriso e adeus. Tchau, nos vemos amanhã. Nem um pingo de tristeza na voz, nem um sinal de melancolia. Nada.

Quando o absurdo se fez realidade e a fantasia virou pó, nada aconteceu. Na cabeça, os sonhos se tornaram pesadelos, coloridos reais, suarentos. E as noites mal-dormidas viraram comuns e se fizeram presentes como fantasmas no quarto, ao lado da tevê. Pensativas, quietas. Quase insanas. Vingança do que havia feito a outras mulheres: gatinho a brincar com o novelo de lã. Quer subir? Não, muito obrigado, nos vemos outro dia.

Agora era a solidão e nem as lágrimas tinha como companheiras. Nada. Nada. Nada. Mas os soluços que morriam a meio caminho da boca eram substituídos por palavras. Essas sim, nunca lhe deixaram na mão. E não importa a hora, o humor, elas brotam sozinhas, aos borbotões, fazendo as mãos correrem sobre o teclado do computador como as de Rubinstein sobre o do piano. Era isso ou a insanidade.

[Ouvindo: Arthur Rubinstein - Nocturne Opus 9, Nº 3, in B - Chopin: 19 Nocturnes]

5/6/05 20:15

Legenda

Acho que fui me acostumando a ter sempre os mesmos leitores e acabei abandonando uma explicação que se faz necessária (especialmente depois de alguns textos de ficção sobre mulheres que publiquei): nesse blog, divido os posts em três categorias. Os textos em ficção publico em branco, os de opinião, em preto. Tudo o que não se encaixar em uma dessas duas categorias, vai em cinza.

Essa explicação acompanha o blog desde o tempo em que ele ainda se chamava Odysseus, nos idos de 2003. Mas, ao reformular a Casa Proença, no início deste ano, eliminei a legenda. Os velhos leitores já sabiam da discriminação por cor (opa!) e não havia grande esperança de novos leitores. Mas, nesta semana, uma colega de trabalho, Gabriela, atentou para o fato de que não havia discernimento entre preto, branco, cinza. E agora a explicação volta pra coluna aí à esquerda.

[Ouvindo: Chico Buarque - A Rosa - Novo Millenium: Chico Buarque]

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O esquema é: textos em branco são ficção, em preto, opinião, e em cinza, tudo o que não for nem um nem outro.

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